5 de dezembro de 2011

Revelando um "mistério"!

Sábado fui interpelado por um querido irmão atraves do Facebook sobre o porque de ter usado a expressão '"Excesso" de racionalidade" ao invés do termo "racionalismo", segue a pergunta dele ipsis litteris:

Ednaldo, relendo o seu texto, na frase "o "excesso" de racionalidade usado por ambos" você não quis dizer racionalismo ao invés de "excesso de racionalidade"? Pois Clark não tem sido acusado de ser racional, mas de ser racionalista, ou seja, confiar na razão como única capaz de se conhecer a realidade. Dê uma olha, por favor! Abraços.

Irmão querido via Facebook
Lhe enviei uma resposta concisa, com a qual ele se deu por satisfeito, porém certamente como ele, "muitos" devem estar se perguntando porque evitei o termo racionalista, tendo em vista Clark não ter problemas com ele, não lembro de em minhas leituras ter visto Cheung comentar algo a respeito disso, por isso vou me ater apenas a comentar como Clark lidava com isto.

Em primeiro lugar, evitei usar o termo "racionalismo" devido a idéia pré-existente do que isto seja, e certamente, pelo que tenho lido, eles [os críticos] usariam isso de forma descontextualizada. Então para evitar confusão, pois "Deus não é de confusão", seja litúrgica, lógica ou exegética, preferi evitar o uso do termo.

Já para explicar como Clark lidava com isso, irei lançar mão de um texto traduzido pelo Felipe Sabino, editor do Portal Monergismo.com, intitulado O Meu Racionalismo, escrito por Clark em resposta àqueles que o consideravam racionalista.

Eu não objeto à palavra racionalismo, embora talvez o termo racionalidade poderia causar menos mau-entendidos. Descartes, Espinosa, e Leibniz produziram uma teoria epistemológica que poderia muito bem ser chamada Racionalismo do século XVII. Para todos eles o conhecimento deve ser baseado na lógica somente. Num sentido Hegel é similar. Para esses homens, como para Platão, a mente humana é essencialmente onisciente, e nem a experiência sensorial, muito menos a revelação sobrenatural podem adicionar informação aos equipamentos da sabedoria inata. Se alguém me acusar de ser um Racionalista neste sentido do século XVII, creio que ele não precisa de nenhuma resposta complementar nessa conjuntura.
Na teologia de séculos mais recentes, o termo racionalismo tomou um significado diferente. Sem qualquer ligação epistemológica, o termo tem sido aplicado àqueles que rejeitam a revelação. Por exemplo, os deístas, que eram empiristas, tinham uma religião supostamente desenvolvida a partir de um estudo da natureza física e humana. A informação verbalmente revelada por Deus era desnecessária e impossível. Como alguns dos meus antigos oponentes podem tentar me associar com essa linha de pensamento é inexplicável, e novamente não é necessário nenhuma resposta complementar nesta altura do campeonato.
Ainda assim, “absolutizando a lei da contradição”, “fazendo a mera razão humana autônoma” e até mesmo que igualo a mente de Deus à minha própria mente são acusações que têm sido feitas. Talvez as Palestras de Wheaton são uma réplica suficiente a essas acusações. E eu sorrio diante das objeções mais recentes, pois minha mente meramente humana está tão longe de ser autônoma que eu não a concedo nenhuma capacidade inerente, seja qual for.
Contudo, um cristão deve se comprometer ao racionalismo ou racionalidade sob a pena de ser irracional, e ele deve ser lógico, sob a pena de ser ilógico, e também sob a pena de negar que Deus é sabedoria e verdade, e sob a pena de afirmar que Deus é o autor de paradoxo e confusão.
[...]
Que eu sou um “evangélico racionalista e calvinista”, eu não nego. Mas à luz do uso contemporâneo do termo evangélico, utilizado por aqueles que não têm nenhum direito histórico a ele, seria melhor tornar evangélico um adjetivo e deixar o calvinista como substantivo.
Fonte: Clark and His Critics, p. 367-368, 373.
Tradução: Felipe Sabino – 08/11/2011
Para mim esta resposta é suficiente, se não é para os demais, fazer o que? Mas tenho gostado desses "embates", pois tenho estudado mais o assunto, e ao invés de encontrar erros no raciocínio de Clark ou de Cheung, tenho reafirmado cada vez mais meu posicionamento.

Ednaldo.