Este assunto está rendendo, e eu estou gostando disso! Mas gostaria de comentar um ponto, o primeiro, levantado pelo Roberto Vargas Jr. em seu blog, na postagem É, Soberania versus liberdade de novo!, uma resposta ao artigo do Felipe Sabino, Soberania divina e a responsabilidade humana, de novo.
Neste ponto, o Roberto diz que a declaração do Felipe de que "a premissa responsabilidade implica liberdade é alheia às Escrituras”, não encerra o caso, pois, segundo ele,
"...deveria haver então alguma afirmação bíblica categórica de que “responsabilidade não implica liberdade”. Caso contrário, estamos tratando de duas premissas “não bíblicas”, no sentido de que não encontramos a informação categórica via Sola Scriptura".
Sabemos que isso não é um argumento válido, pois declarações doutrinárias, para serem verdadeiras, não precisam ser categóricas. Exemplo: Não existe nenhuma declaração categórica da doutrina da Trindade (clichê?), mas podemos inferi-la dentro da revelação, devido a outras declarações acerca da pessoa de Deus, e que se fossem tomadas individualmente, levariam a contradições. Usando um pouquinho a CFW em I:6 diz, "Todo
o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para
a glória dele e para a salvação, fé e vida
do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser
lógica e claramente deduzido dela".
O problema, não é que não existam mistérios, eles existem! Mas se existem mistérios na Revelação Escrita, opa! Mais um paradoxo, "mistério na revelação!" Não está em pauta o que a Escritura não revela, isso certamente é mistérioso, mas ao que "pode ser lógica e claramente deduzido dela" não temos o direito de chamar de mistério.
Como escrevi em postagem anterior, se o decreto conduz TUDO não resta espaço para liberdade nas criaturas; a queda de Adão e Eva, o assassinato de Abel, a degradação antidiluviana, a traição e crucificação de Jesus, tudo estava determinado por Deus a acontecer, mas mesmo assim Ele responsabiliza suas criaturas por estes atos. Impor sobre a criatura qualquer tipo de liberdade em relação ao decreto, é negar o decreto, e reduzir Deus a um soberano na acepção humana da palavra. Ou então afirmar que o decreto, não abrange TUDO, mas apenas uma parte dos acontecimentos, esperem, isso é arminianismo!
Somente essa reflexão deveria ser suficiente, para que se parasse para pensar um pouco mais acerca do assunto, ao invés de rejeitá-lo, simplesmente, porque, ou os proponentes não são tidos em alta conta pela a maioria dos reformados, ou porque são desconhecidos academicamente.
Somente essa reflexão deveria ser suficiente, para que se parasse para pensar um pouco mais acerca do assunto, ao invés de rejeitá-lo, simplesmente, porque, ou os proponentes não são tidos em alta conta pela a maioria dos reformados, ou porque são desconhecidos academicamente.
Como disse, somente a reflexão do parágrafo anterior deveria ser suficiente para demonstrar que a responsabilidade não implica em liberdade, mas como cristãos submissos a Palavra, faz-se necessário provar o argumento através dela, para isso quero me utilizar de duas passagens, a primeira está em Gn 50.20 que diz,
A tradução comum é tendenciosa, pois na segunda sentença traduz a palavra hebraica חשב, chashab, como "tornou" ou "transformou", coisa que ela não significa em nenhum de seus modos ou acepções. Notem que o elemento anafórico "o" da segunda sentença, se refere ao "mal" intentado pelos irmãos de José, e que este intento começa em Deus, e não nos irmãos de José, eles não estavam livres para matar José, muito embora cressem nisso.
A outra passagem, está em 2 Samuel 24.1-17, e utilizarei também o relato paralelo de 1 Crônicas 21.1-17
Agora, analisemos o que o(s) texto(s) biblico(s) diz(em), em 2Sm 24, vemos Deus incitando a Davi para contar a população de Israel, porque a Sua ira havia se acendido contra eles. Diz ainda que Deus "disse" isso a Davi, e que muito embora estivesse obdecendo a uma ordem divina, no verso 10, Davi sente pesar em seu coração, e no verso 17 afirma que foi ele que pecou e agiu iniquamente. em primeiro lugar, creio que todos hão de concordar que o uso do verbo "dizer" ali não significa uma comunicação verbal entre Deus e Davi, pois ninguém sente peso no coração por fazer o que Deus lhe manda fazer abertamente. Mas essa passagem nos ensina que a determinação do censo partiu de Deus, e que mesmo assim Davi sentiu que era responsável por um pecado.
No relato paralelo de 2 Cr 21, a Escritura nos afirma que Davi foi incitado por Satanás, o que isso pode significar ao colocarmos os dois textos lado a lado? Deus arregimentou a Satanás para tentar a Davi, Davi cedeu a tentação, e pecou! Sem liberdade para agir de forma contrária a ordem, ou decreto, divinos, Davi não só se sentiu responsável, mas foi responsabilizado por Deus por seu ato.
Todas estas passagens nos mostram de forma clara que o homem é responsabilizado não sendo livre. Existem outras das quais podemos inferir o mesmo resultado, como Is. 6; Hc 1,2; Ez 14; etc. Mas estas são suficientes para provar nossa argumentação em prol da premissa "responsabilidade não implica liberdade". Poderia desenvolver, mais o artigo demonstrando porque o homem é responsabilizado, mas aí ficaria sem assunto para uma próxima postagem, e esta para os meus padrões já está demasiadamente longa.
Ednaldo.
"Vós bem intentastes [חשבתם] mal contra mim; porém Deus o intentou [חשבה] para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida."
Gn 50.20 (ACF)
A tradução comum é tendenciosa, pois na segunda sentença traduz a palavra hebraica חשב, chashab, como "tornou" ou "transformou", coisa que ela não significa em nenhum de seus modos ou acepções. Notem que o elemento anafórico "o" da segunda sentença, se refere ao "mal" intentado pelos irmãos de José, e que este intento começa em Deus, e não nos irmãos de José, eles não estavam livres para matar José, muito embora cressem nisso.
A outra passagem, está em 2 Samuel 24.1-17, e utilizarei também o relato paralelo de 1 Crônicas 21.1-17
E a ira do SENHOR se tornou a acender contra Israel; e incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá. [...] E pesou o coração de Davi, depois de haver numerado o povo; e disse Davi ao SENHOR: Muito pequei no que fiz; porém agora ó SENHOR, peço-te que perdoes a iniqüidade do teu servo; porque tenho procedido mui loucamente. [...] E, vendo Davi ao anjo que feria o povo, falou ao SENHOR, dizendo: Eis que eu sou o que pequei, e eu que iniqüamente procedi; porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim, e contra a casa de meu pai.
2 Sm 24.1,10,17
Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel. [...] E este negócio também pareceu mau aos olhos de Deus; por isso feriu a Israel. Então disse Davi a Deus: Gravemente pequei em fazer este negócio; porém agora sê servido tirar a iniqüidade de teu servo, porque procedi mui loucamente. [...] E disse Davi a Deus: Não sou eu o que disse que se contasse o povo? E eu mesmo sou o que pequei, e fiz muito mal; mas estas ovelhas que fizeram? Ah! SENHOR, meu Deus, seja a tua mão contra mim, e contra a casa de meu pai, e não para castigo de teu povo.Primeiro, vamos falar sobre bobagens que devem ser descartadas, a primeira bobagem é a de que Satanás e Deus são a mesma pessoa; a segunda bobagem é a de que a primeira passagem não seria planemente inspirada pois Deus não incita ninguém para fazer o mal. Lembremos que o assunto é a relação entre soberania divina e responsabilidade humana, e se esta última advêm de liberdade. Não é uma questão de Vontade Divina vs Vontade Humana. Ninguém nega que o homem possui vontade, muito menos que seja responsável por seus atos.
1 Cr 21.1,7,8,17
Agora, analisemos o que o(s) texto(s) biblico(s) diz(em), em 2Sm 24, vemos Deus incitando a Davi para contar a população de Israel, porque a Sua ira havia se acendido contra eles. Diz ainda que Deus "disse" isso a Davi, e que muito embora estivesse obdecendo a uma ordem divina, no verso 10, Davi sente pesar em seu coração, e no verso 17 afirma que foi ele que pecou e agiu iniquamente. em primeiro lugar, creio que todos hão de concordar que o uso do verbo "dizer" ali não significa uma comunicação verbal entre Deus e Davi, pois ninguém sente peso no coração por fazer o que Deus lhe manda fazer abertamente. Mas essa passagem nos ensina que a determinação do censo partiu de Deus, e que mesmo assim Davi sentiu que era responsável por um pecado.
No relato paralelo de 2 Cr 21, a Escritura nos afirma que Davi foi incitado por Satanás, o que isso pode significar ao colocarmos os dois textos lado a lado? Deus arregimentou a Satanás para tentar a Davi, Davi cedeu a tentação, e pecou! Sem liberdade para agir de forma contrária a ordem, ou decreto, divinos, Davi não só se sentiu responsável, mas foi responsabilizado por Deus por seu ato.
Todas estas passagens nos mostram de forma clara que o homem é responsabilizado não sendo livre. Existem outras das quais podemos inferir o mesmo resultado, como Is. 6; Hc 1,2; Ez 14; etc. Mas estas são suficientes para provar nossa argumentação em prol da premissa "responsabilidade não implica liberdade". Poderia desenvolver, mais o artigo demonstrando porque o homem é responsabilizado, mas aí ficaria sem assunto para uma próxima postagem, e esta para os meus padrões já está demasiadamente longa.
Ednaldo.