2 de dezembro de 2011

Mistério, quando os arminianos "têm" razão!



"Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas." - CFW III:1

Faz algum tempo que o Felipe Sabino, editor do Portal Monergismo.com, tem com a ajuda de colaboradores, traduzido material teologico e filosófico da língua inglesa para a nossa. Alguns desses teólogos e filósofos, são bem conceituados entre o público brasileiro, outros nem tanto, seja por serem desconhecidos da maioria, ou por causa de pensamentos não muito tradicionais.

Recentemente os alvos mais diretos das críticas têm sido o filósofo e teólogo americano Gordon Haddon Clark, e o teólogo e filósofo sino-americano Vincent Cheung. O motivo é bem simples, o "excesso" de racionalidade usado por ambos, para interpretar a Bíblia. E é justamente isso que parece incomodar àqueles que criticam, ouso da mente, da razão, para chegar a determinadas conclusões.

Outro ponto que causa intrigas, é o determinismo defendido por ambos. Alguns chegam ao cúmulo de afirmar que esse pensamento é exterior a Escritura e então lhe é imposto. Por isso trouxe a baila apenas o primeiro parágrafo do capítulo 3 da CFW, que trata dos decretos eternos de Deus. E através dele mostrar que se os críticos estão corretos, os arminianos estão mais corretos ainda.

O primeiro parágrafo diz "desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece..."[grifo meu - prestem atenção no grifo pois vou retorna a ele constantemente], aqueles que acusam Clark, Cheung e outros de serem deterministas, o que diriam dos teólogos de Westminster? Afinal Deus ordenou TUDO, ou quase tudo? Como poderíamos sintetizar essa sentença? Deixem-me ajudar, DE-TER-MI-NIS-MO!


Continuando, "... porém de modo que nem Deus é o autor do pecado...", vamos parar um pouquinho, outra acusação levantada contra Clark e Cheung é a de que eles fazem de Deus o autor do pecado, contrariando aquilo que a CFW diz. Mas vamos voltar um pouco e pensar um pouco, na sentença anterior a CFW afirma categoricamente que Deus ordenou inalteravelmente TUDO o que acontece, se é tudo, os atos pecaminosos dos homens estão incluídos nisso, sim ou não? Se não, vamos criar uma versão revista e corrigida da CFW, ou se desejarmos modernizar uma versão 2.0, mas se sim, o que os teólogos de Westmister querem dizer com isto? Antes, de como Dona Milu, dizer "mistério", ou mais eruditamente "antinomia, paradoxo", vamos pensar um pouco, a CFW, a exemplo de Cheung e Clark, está simplesmente dizendo que o fato de Deus decretar todas as coisas isso não O torna um pecador. Quem lê Clark e Cheung, sabe que ambos usam a palavra "autor" numa acepção diferente da usada pelos teólogos de Westminster. Clark e Cheung usam a palavra "autor" na acepção de idealizador. Volto a perguntar aos críticos, o pecado estav ou não idealizado por Deus em seus decretos? 

Não paremos por aqui, vamos em frente, "...nem violentada é a vontade da criatura...", acho que os teólogos de Westmisnter escreveram isso apenas por desencargo de consciência, sendo é algo completamente desnecessário, pois se toda a criação está sujeita ao decreto, a própria vontade da criatura lhe é sujeita, não havendo resistência por parte desta vontade, e consequentemente sendo desnecessário quanquer ato de coerção por parte de Deus, para enquadrar o homem em seu decreto.


Continuando, "...nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.", por causas secundárias certamente os teólogos de Westiminster se referiam às criaturas (homens e seres angelicais), outro dia conversando com um pastor arminiano amigo meu, ele me "jogou no peito" as inconsistências do campatibilismo, quando lhe disse que o arminianismo era inconsistente. Ainda bem que não sou compatibilista, senão tinha calado a boca e saído com o rabo no meio das pernas. Mas o uso das palavras "liberdade" e "contingência", simplesmente não fazem sentido, se o assunto são os decretos, tendo em vista que se Deus ordenou inalteravelmente TUDO o que acontece, não existe liberdade quanto a isso, muito menos contingência, tendo em vista que TUDO o que foi ordenado NECESSARIAMENTE ocorrerá! Então porque os teólogos as utilizaram? A única forma que faz sentido seria, para se referir a responsabilidade das criaturas morais ainda que TODOS os atos delas estejam sujeitos ao decreto divino, só isso. Creio [tenho direito a "achismos"] que eles não conseguiram se desvencilhar do pressuposto de que a responsabilidade decorre de algum tipo de liberdade.


Certamente os criticos de Cheung e Clark, possuem uma interpretação diferente deste parágrafo da CFW, gostaria de conhecer. Mas vemos que nem um nem outro, vai contra o que a CFW ensina, o Clark foi um pastor presbiteriano que possuia um grande respeito pelos simbolos de fé do presbiterianismo, e os subscrevia categoricamente. Cheung, apesar de não ser confessional, também não vai contra este ponto como defendido pela CFW, apenas esclarece o sentido das palavras, embora algumas delas poderiam ter sido melhor escolhidas. 

Porém, se Cheung e Clark estiverem realmente errados como afirmam seus críticos, os arminianos estão certos ao acusar os calvinistas de inconsistência, sendo tão misteriosa a forma como Deus soberanamente abre mão de sua soberania para dar liberdade ao homem, quanto os mistérios defendidos pelos calvinistas compatibilistas.




Ednaldo.