9 de agosto de 2011

Rejeição à Doutrina da Eleição – Uma reflexão.



Antes de entrar no assunto propriamente dito, cabe algumas considerações iniciais. É mister afirmar que toda a cristandade crê na doutrina da eleição (i.e., predestinação), as divergências começam ao tentar se definir os critérios desta eleição. Os calvinistas, defendem esta doutrina do ponto de vista “incondicional”, ou seja, não há nada no homem que motive a escolha divina, de forma que Deus elege a cada um de acordo com o “beneplácito da sua vontade”. Todos os demais ramos da cristandade, acreditam em uma “eleição condicional”, de forma que Deus não elege baseado em algo no homem, e apesar das divergências acerca de qual seria essa condição, esta é de somenos.

Quero chamar a atenção, aos leitores, para o fato de que não estou tratando da doutrina da SALVAÇÃO, pois embora a eleição esteja ligada a esta, são coisa bem diferentes. Pois a salvação, é condicionada a determinados eventos pré-determinados por Deus, como arrependimento, fé em Cristo, perseverança, santificação, etc. E é importante salientar que todos estes componentes, possuem sua origem em Deus, mas são executadas em, e por, nós.

Também desejo esclarecer, que mesmo no meio calvinista existe alguma controvérsia neste assunto, não ligado a eleição em si, mas a sua antítese, a reprovação. Normalmente os calvinistas se dividem em supralapsarianos e infralapsarianos, quero afirmar que farei esta reflexão do ponto de vista supralapsariano, que a meu ver é o mais coerente. Isto posto passemos a reflexão.

Ontem a noite, estava pensando que há muito tempo não escrevia nada para postar no blog, e me veio a mente falar algo sobre a doutrina da eleição nos moldes calvinistas, e o porque da grande dificuldade em se aceitá-la. Hoje pela manhã, ao verficar meus “feeds”, vi que o Clóvis do Blog Cinco Solas, postou um excerto de um artigo do Arthur Walkington Pink, exatamente sobre este assunto.

Uma acusação recorrente dos contrários ao calvinismo, é a de que os calvinistas são soberbos por se considerarem os únicos eleitos. Em primeiro lugar, esta é uma acusação vazia, é verdade que alguns calvinistas se consideram os únicos salvos, e excluem até mesmo outros calvinistas do rol do Livro da Vida, porém fazer este tipo de generalização é, no mínimo, ignorância. Seria o mesmo que tomar como regra, alguns pentecostais que se consideram os únicos a possuir o Espírito Santo.

Mas o meu foco não é definir quem é eleito e quem não é, mas procurar entender o porque de tanta ojeriza à “eleição incondicional”. Geralmente o “motivo” da rejeição, é o de que esta doutrina torna Deus injusto, principalmente por não conceder ao restante da humanidade a oportunidade de arrependimento, ou pior, ainda que o resto da humanidade venha a se arrepender, isso não terá valor algum, pois Deus já escolheu quem será salvo.

Porém, “este motivo”, ou como acredito, “esta desculpa”, não é verdadeiro. Pois todos com pouca, ou nenhuma, exceção. Buscam colocar os motivos da eleição fora de Deus, seja no homem, seja em qualquer outra coisa. Sejam os arminianos com sua “fé prevista”, sejam os espíritas com sua “caridade”, sejam os adventistas com “seu” sábado, sejam as Testemunhas de Jeová com sua Torre de Vigia, sejam os da Congregação Cristã com sua instituição, etc.

Assim sendo, embora nos acusem, falsamente, de soberba, eles é que são soberbos, ao não se curvarem diante de Deus e suas escolhas, vendo em si próprios méritos suficientes para garantirem sua própria eleição. É o velho desejo de autonomia, manifestado, ainda que não de forma explícita, em seus pressupostos. Ao condicionar-se a eleição, eleva-se o homem a qualidade de merecedor desta, tornando a Graça de Deus em algo sem nenhum valor, reduzindo-a àpenas uma oportunidade, sem nenhuma eficácia em si mesma.