20 de fevereiro de 2012

Reflexões Argumentativas Sobre a Ordenação Feminina.


“No corrente clima de incredulidade, a exegese correta do ensino de Paulo sobre o papel da mulher na igreja jamais irá solucionar qualquer coisa.”
Douglas Wilson

Vocês devem ter notado que esta frase do pastor Douglas Wilson, me causou grande impacto, mas isso, simplesmente, por não ter atentado antes para o fato de que muitos dos problemas teológicos que temos, não o são por uma questão de exegese, mas de fé versus incredulidade. Muitos proclamam o Sola Scriptura, mas insistem em colocá-lo de lado, ou mesmo, negá-lo em muitas questões.

Gostaria de trazer a lume algumas questões sobre o ministério feminino ordenado, ou seja, a mulher na liderança da igreja, que não tratarei de forma exegética, porque para os biblioEXcêntricos, a exegese pouco importa.

Sexta-feira última, assisti ao programa “Vejam Só!”, exibido pela RITTV, era uma reprise, e o tema abordado era justamente acerca do ministério feminino, mais especificamente tratando isso à luz de 1Co 14.34,35, e 2Tm 2.11,12. Vou interagir com alguns dos argumentos usados pelos defensores da liderança feminina na igreja, e pedir deles uma resposta coerente.

O argumento cultural

Um argumento muito usado, em prol da ordenação feminina, é o de que Jesus e os Apóstolos, especialmente Paulo, não ordenaram diretamente mulheres por causa da cultura. O interessante é que as palavras de Paulo foram escritas a uma igreja gentílica que se situava num nos maiores centros da religiosidade grega da época, e é sabido que a religiosidade grega possuía sacerdotisas que lideravam os cultos. Pergunto, se a cultura local permitia que mulheres liderassem cultos, Paulo estava se submetendo à cultura?

Tudo bem, talvez você afirme, que Paulo manifestava a cultura judaica da época, aplicando-a à igreja. Mas vejamos, por que Paulo como Apóstolo, guiado pelo Espírito a escrever de forma inspirada, escreveu o que escreveu? Será que a “cultura” da não liderança feminina não era simplesmente uma manifestação da vontade de Deus? Ou seria Deus tão fraco que temendo que a Igreja não avançasse se submeteu aos costumes culturais? Lembrando ainda que dentro da cultura judaica o sacerdócio era vedado às mulheres, e isto por ordem de Deus.

A Juíza Débora

Outro argumento é o da juíza Débora, afinal a magistratura nesta época era um cargo de liderança. Está bem, eu concordo com o que foi escrito anteriormente, mas ele se aplica à Igreja? Aliás, o livro dos Juízes não é muito bom para se desenvolver doutrina, não é verdade? 

É necessário confessar que Débora era uma mulher extraordinária, e que viveu num tempo de homens medíocres, e não só isso, homens que desviavam o povo de Deus de seus caminhos, é só ler o Cântico de Débora, na falta de homens capazes o povo recorria a ela (v.12). Também é preciso reconhecer que ela era uma mulher de atitude. Ela nos diz em 5.7, que ela SE LEVANTOU por mãe, mas porque ela tomou essa atitude? Simples, já que aqueles que deveriam julgar segundo a justiça divina não estavam fazendo isso, Deus a coloca nesta posição para envergonhar os homens.

Apesar de discordar do ministério pastoral feminino, creio piamente, que quando os homens esquecem do seu papel, Deus levanta mulheres para suprir a necessidade, mas mesmo assim, é uma vergonha para os homens.

Pergunto, você acha que qualquer mulher faria um trabalho melhor que o seu como lider da sua igreja? Se sim, entrega o cargo e volta para o banco, pois a quem muito foi dado muito mais será exigido. Será bem melhor para você e para sua congregação.

Profecia e pregação

Um outro argumento, é o de que existem profetisas na Escritura, e ainda que algumas mulheres pregaram. Mas este argumento é tão fraco que nem deveria ter resposta, mas como é sempre levantado, é interessante escrever a respeito.

É verdade que existiam profetizas de Jeová? Sim, a própria Débora é tratada assim (Jz 4.4); há ainda a menção de Miriã, irmã de Moisés, (Ex 15.20); Hulda (2Rs 22.14; 2Cr 34.22); Noádia (Ne 6.14); além da profetisa anônima (Is 8.3), isso apenas citando o AT. No NT, temos Ana (Lc 2.36); as filhas de Filipe (At 19.6); Jezabel (Ap 2.20). 

E além disso existem ainda, a promessa de Joel sendo cumprida no Pentecoste, de que “vossos filhos e FILHAS profetizariam”, promessa essa extendida à tantos quantos o Senhor nosso Deus chamar. E ainda podemos inferir pelas palavras de Paulo em 1Co 11.5, que era permitido as mulheres profetizarem, desde que com o véu, que aparentemente era um sinal de submissão.

Este mesmo argumento é extendido à pregação, pois mulheres como Priscila, a mulher samaritana, as mulheres que foram ao túmulo de Cristo, todas levaram algum tipo de mensagem, e por isso são consideradas como pregadoras da Palavra. Não me oponho a isso, mas o interessante é que nenhuma delas fez isso em uma assembléia pública, ou em um culto solene, e em posição de autoridade.

Pois bem, minhas dúvidas são: Qual a relação entre profetizar e liderança? Você biblioexcêntrico pentecostal me responda, qualquer “profeta” de sua igreja é automaticamente promovido à pastor? Qualquer pregador é automaticamente promovido à pastor? Essas são as exigências para ordenar qualquer um em sua igreja?

A “apóstola” Júnia

Agora o argumento é irrefutável, Paulo chama Júnia de apóstola, me dei mal! Espero que tenham notado meu tom irônico.

Bem, este é um texto bem disputado, e como subscrevi no princípio a frase do Pr. Douglas, creio que exegese não irá resolver o “problema”. Mas mesmo assim, é preciso dizer algumas coisas.

Em primeiro lugar, é verdade que existem a grande possibilidade de Júnia ser uma mulher, e uma pequena possibilidade de se tratar de um homem, mas mesmo assim ainda há essa possibilidade. 

Então vamos partir do pressuposto de que Júnia seja mesmo uma mulher, esposa de Andrônico, e parente de Paulo. Fico imaginando o porque de Paulo escrever à Timóteo, o que escreveu em 1Tm 2.11,12, ou em 1Co 14.34,35 (estou considerando este texto como canônico, por não ter nenhum motivo para não considerá-lo assim), se Júnia era sua parente, era mais antiga na fé, e ainda por cima era uma “apóstola”. Isso faz sentido? Seja sincero! Talvez para você, biblioexcêntrico, faça! Mas para mim, não! Como Paulo tendo uma apóstola na família proíbe que mulheres ensinem na igreja em posição de autoridade, isto é completamente incoerente. 

A questão é, existe outra possibilidade de se traduzir, ou melhor, de se interpretar este versículo? Claro que há. É perfeitamente possível que Paulo esteja dizendo simplesmente, que Andrônico e Júnia são crentes de boa reputação diante dos apóstolos, e não apóstolos de boa reputação como vocês interpretam. E isso faz muito mais sentido diante do restante do ensino paulino sobre este assunto.

Conclusão

As mulheres possuem lugar garantido na igreja, Deus definiu claramente o papel da mulher, seja na igreja seja na sociedade, seja na família, isto é bem claro na Escritura. Mas ajudar o ministério com suas posses, orar, profetizar, pregar, não são motivos, ou argumentos, para tornar lícita a liderança feminina na igreja. 

Ademais, as exigências paulinas para ordenação de bispos e diáconos, não são exclusivas dos bispos e diáconos, são simplesmente imprescindíveis a estes, mas são obrigações extendidas à todo o crente em Cristo. Ou será que você imagina que os membros da Igreja podem encher a cara, menos o pastor, ou podem ter mais uma mulher menos o pastor, ou não precisam reger bem a sua casa?

Deixe de ser biblioexcêntrico e se torne um bibliocêntrico, ainda há esperança para você.

Ednaldo.